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"sandy abra os olhos"

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foram dias e dias.  naquela hora em que a notícia de que titio tinha feito a travessia caiu seca no nosso peito, eu olhava pra um jim carrey confuso. não via aquele filme há anos. e nem sei como guardei essa lembrança. sabe quando a gente tá doente e come alguma coisa que desce mal e depois, de alguma forma, aquela comida se encarrega de trazer a memória, ainda que fisiológica, de um momento ruim na sua trajetória? pode ser isso.  a novela favorita de vovô era cabocla. parece que vejo ele sentado com as pernas esticadas e cruzadas em cima do sofá. e ele foi embora no quando o último capítulo foi transmitido.  no momento em que a vida se disfarçou de pausa mais uma vez, à noite, a cabeça fingia traçar planos focados na ideia de continuidade. descobri que era o último capítulo de floribella. achei suspeito, porque eu sempre disse que nunca mais veria o final. "só até o penúltimo". fazia tempo que tinha parado de assistir, mas naquele dia, por acaso, eu vi. vi fred desaparecer d

why do i keep counting?

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não terminei de ler isaías caminha. todas as vezes que entro nesse blog é pra acrescentar besteira a algum rascunho. esse daqui existe há mais de três meses. e já foi tão emperiquitado que nem como retrato de uma época serve. decidi que seria hoje ou nunca mais.  hoje (um dia de abril? maio?) eu tô melhor. mas ontem me arrependi assim que dei o primeiro gole no café. virei pra mainha e disse: não devia tá fazendo isso, vou ter um sono perturbado. no meio da noite lembrei que tinha quase desistido de falar de março. eu tento parar com isso, mas aí patti smith começou com aquela coisa de referências. "não aja como se tivesse 10 mil anos de vida". "vou viver minha vida do jeito que eu quiser". o que marco disse é o nome do capítulo. ela disse que ele pediu pra que a gente reparasse na passagem do tempo de olhos abertos. as outras palavras são o que jimi hendrix falou. e eu decidi que aquilo era um sinal. porque nessa mesma parte patti fala de março: 1. primeiro de març

vai chover...

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onde eu morava antes de agora, uma vizinha de baixo colocou uma caixa com livros que ela não via mais sentido em ter. decidiu deixar por um tempo na frente de sua porta, pra que se, por acaso, alguém quisesse algum deles...mainha me avisou, e como fiquei com um pouco de vergonha de ir até lá, subiu as escadas com a caixa nas mãos. alguns romances espíritas, porque o marido tinha mudado de crença; livros que entregaram uma quase antiga graduação em letras...tenho o de latim, alguns de poesia, outros clássicos, dom casmurro..., identificados com um remetente de cajazeiras. o recordações do escrivão isaías caminha , de lima barreto, está entre eles, mas suas marcas são quase todas temporais, e de manuseio. folheando vi o único risco à lápis, de todo o livro, à margem, destacando uma frase logo no início. apenas essa. "O espetáculo de saber de meu pai, realçado pela ignorância de minha mãe e de outros parentes dela, surgiu aos meus olhos de criança, como um deslumbramento." uma e

um livro de quê

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não tinha percebido, até agora, como 2020 conseguiu se enfiar em vários formatos, menos naquele que costumamos considerar o de um ano. essa massa disforme, composta de atitudes tão horríveis, além de tudo, evidenciou o que vem de dentro, inclusive os incômodos. aquela onda de não saber quem se é, mas saber do que, definitivamente, não gosta. um tempo de tentar entender. minha relação com leituras sempre foi muito entregue ao universo. as tentativas de seguir metas, desde o início condenadas ao fracasso, só disfarçavam a vontade de ter controle sobre alguma coisa nessa vida. ou um tipo de garantia de que iria continuar. não adianta, o que me importa mesmo é ter intimidade com a história. do livro, da leitura, da conversa. lembro que no linha m patti fala muito de listas. preciso de listas pra organizar pensamentos. não são rankings, contagens ou qualquer coisa parecida. servem pra que eu possa lembrar e até perceber o caminho. essa daqui debaixo se transformou num tipo de guia, um álbu

la vida secreta de las palabras

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quando comecei a escrever aqui, agora, percebi que não tem jeito. acabo mencionando clarice em algum momento. ela apareceu em todos os meus blogs transitórios. tanto que eu não lembrava que há um ano tinha escrito em um deles: aos 41 anos da morte de Clarice, ao seu aniversário e ao tempo em que tenho aprendido a amá-la . era uma foto muito bonita dela e um poema de drummond (talvez eu tenha certa fixação por amizades alheias). " visão de clarice ", o nome do poema.  mais tarde, um dia...saberemos amar clarice .  todo mundo fala. mas desconfio que nunca vou saber.  esse ano de distância. o último livro que li foi um dela. a via crucis do corpo .  eu disse lá que  "nunca consigo traduzir de um jeito racional o efeito que o texto de clarice lispector tem sobre mim. não é totalmente agradável. mas é potente. terminando de ler fiquei pensando em como esse título coube...perfeitamente. essa coisa de morrer:".  essa coisa de morrer... falar de clarice me faz ter vontade d

I didn't write that song

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queria ser melhor em criar contextos. sei lá, melhorar minha capacidade de sugerir uma conversa. não sei se faz sentido começar dizendo que meu nível de leitura de comentários é muito mais alto que o de qualquer outro gênero. ou que como não sei escrever, leio. mas também escrevo, só que não comentários. desses eu me contento em ser espectadora.  procurei tanto por um vídeo de bowie (que, na minha cabeça, é uma apresentação ao vivo de sound and vision ) por causa daquela mulher. ela dizia que quando sua mãe faleceu, ninguém se preocupou em ligar pra perguntar como ela estava. diferente de quando david morreu. ela tinha perdido seu melhor amigo. também queria encontrar o menino dizendo que seu pai, agora em outro plano, cantava kryptonia pra que ele parasse de chorar e conseguisse dormir.  meus dias são uma coisinha a mais quando esbarro com alguém assim. alguém que se dispõe a estar nesse espaço descoberto se sustentando em fragmentos de vida. percepções, sentimentos, experiências, de

b-side sad/sad

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until my whole head screams with grinding my teeth desperate to find a single word i can keep any kind of faith any kind of fix in just any kind of world that doesn't make me sick and i keep saying i will but i won't i keep saying i do but i don't and i keep saying i feel but there's nothing to feel just the strange kind of nothing where there used to be me faixa : it used to be me álbum : b-side do the 13th banda : the cure ano : 1996